Como o processo de capacitação é visto pelos CEOs

Há alguns anos, o World Economic Forum (WEF) publicou um estudo chamado The Future of Jobs. A repercussão foi enorme na época e até hoje ainda vejo referências a este estudo em palestras e eventos de que participo. Uma das coisas que saiu deste estudo foi uma lista com as top 10 competências para o mercado de trabalho em 2020, que são:

  1. Resolução de problemas complexos
  2. Pensamento crítico
  3. Criatividade
  4. Gestão de pessoas
  5. Coordenação
  6. Inteligência emocional
  7. Capacidade de julgamento e tomada de decisões
  8. Orientação para servir
  9. Negociação
  10. Flexibilidade cognitiva

Para saber mais sobre este estudo é só googlar, mas para facilitar a sua vida eu vou deixar aqui o link para a matéria que saiu na Exame e para o relatório completo (em inglês) que foi publicado.

Pois é, 2020 chegou, o encontro de Davos foi há algumas semanas e lá fui eu procurar o novo relatório com as top competências até 2025. Para minha tristeza, o relatório deve sair só ano que vem.

Mas como a internet é maravilhosa, acabei encontrando outro artigo no portal do WEF 2020 repercutindo uma pesquisa bianual da PwC com CEOs de todo o mundo. E tem um capítulo especial sobre requalificação dos trabalhadores, ou upskilling.

O resultado da pesquisa no geral não é animador. Depois de apresentar otimismo recorde em 2018, o pessimismo foi o mote de 2020. Mesmo assim, ainda houve espaço para estabelecer uma bem-vinda correlação positiva entre o otimismo do ponto de vista econômico, a confiança sobre a evolução das receitas e o progresso na capacitação dos colaboradores. Ou seja, os que estão avançados no processo de treinamento estão mais otimistas em relação à economia e às perspectivas de receita da sua própria empresa.

Qualificando 1 bilhão de pessoas até 2030

O trabalho está mudando, assim como as habilidades para navegar nesse mundo. Estudos e pesquisas chegam a essa mesma conclusão há anos. Nota-se que a curva está acelerando, e a minha sensação é que quem está no mercado sente isso na pele, mais ainda quem está de alguma maneira envolvido com formação/educação (seja nas empresas, seja nas escolas).

Já sabemos o tamanho do desafio. Se pensarmos que em 2020 o planeta tem 7,7 bilhões de pessoas e que 3,3 bilhões têm emprego, vemos que qualificar 1 bilhão de pessoas em 10 anos é o começo da jornada.

Existem oportunidades e desafios para todo mundo, sejam governos, sejam educadores, sejam empresas. Estes e outros stakeholders devem agir com alto grau de coordenação para aos poucos serem capazes criar um mundo que se aproveita dos avanços no conhecimento e na tecnologia, sem deixar ninguém pra trás.

Como os CEOs enxergam o processo de capacitação

Se os executivos que responderam a pesquisa da PwC fizeram cada um o seu Business Canvas direitinho (ou, considerando o tamanho e a idade das empresas participantes, um plano de negócios de +50 páginas), provavelmente eles começaram pensando nos problemas dos clientes que podem ser resolvidos pela sua proposta de valor. No caso da requalificação profissional, o público-alvo são os próprios colaboradores. Sendo assim, neste contexto, os principais desafios que apareceram na pesquisa foram:

  • Aumento da automação

Entre meados de 2020 e 2030, 44% dos trabalhadores com baixo grau de escolaridade serão automatizados.

  • Disponibilidade de talento decrescente

As taxas de desemprego dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) estão nas mínimas históricas. Mesmo aqui no Brasil, que ainda trabalha com taxas de desemprego muito altas, já faltam profissionais para vagas que exigem conhecimentos relacionados à tecnologia.

  • Decréscimo da mobilidade de trabalhadores especialistas

Mais de 50% dos CEOs do mundo (+70% na América Latina) não enxergam políticas, nem governamentais e nem em seus negócios, para realocar mão-de-obra especializada.

  • Pool de talento envelhecendo

Outro tema que ouvimos falar há 20 anos na OCDE é a inversão da pirâmide etária (18% da população têm mais de 65 anos), que se intensificou nos últimos anos que agora chega no Brasil.

Hoje, somente 10% dos CEOs dizem que não realizaram progresso algum na requalificação profissional (5% não estão nem considerando este tema). Mesmo assim ainda há bastante espaço para a implementação de novas iniciativas e revisão do processo de requalificação nas empresas. Só 20% das empresas afirmam que fizeram progressos significativos nos últimos 2 anos.

Imagem 1 (PwC). Nos últimos 2 anos, qual o progresso realizado no estabelecimento de programas de requalificação. Global, América Latina, Brasil (em inglês).

A boa notícia é que as empresas/CEOs que investem em programas mais avançados de capacitação têm sido capazes de visualizar impacto em seus principais indicadores (ver imagem 2, em inglês), como:

  • Cultura corporativa forte e engajamento dos funcionários;
  • Maior produtividade;
  • Maior crescimento dos negócios;
  • Aumento da atração e retenção de talento;
  • Maior inovação e aceleração no processo de transformação digital;
  • Redução do gap de competências e contratação/alocação inadequada de profissionais.
Imagem 2 (PwC). CEOs avaliam o efeito de seus programas de capacitação em indicadores de negócio. (em inglês)

Quais os desafios de quem está começando? E de quem quer dar um passo adiante?

Os desafios são diferentes para quem está no início da jornada e quem busca o atingimento de objetivos mais rebuscados.

Para quem está começando, os desafios estão muito relacionados à motivação e aderência dos funcionários em programas de capacitação; à falta de recursos para implementar um programa de formação, às escolhas de quais competências desenvolver (a lista de competências do WEF que falei lá em cima pode ser um começo) e à dúvida em se tratando da habilidade dos funcionários de aprender e aplicar novos conhecimentos relevantes para este novo contexto.

Já em um cenário em que em que se observam progressos relevantes, alguns dos desafios são os mesmos, como a eterna luta por orçamento e a dúvida em relação à habilidade dos funcionários em aprender/aplicar conhecimentos (cada vez mais complexos). Ao mesmo tempo, aparecem outros desafios como, a retenção de colaboradores treinados/desenvolvidos.

Imagem 3 (PwC). Os maiores desafios para quem tem processos de requalificação iniciando e às diferenças de quem já está mais adiante no processo. (em inglês)

Empresas e corporações não farão tudo sozinhas, mas não podem ficar paradas

Seria ótimo contar com alunos bem formados, em escolas públicas de qualidade com competências digitais relativamente desenvolvidas. Mas lembremos que os governos são ainda mais lentos para se movimentar do que grandes empresas, isso sem falar das dificuldades institucionais que temos em nosso país.

Todas as empresas, ou pelo menos as que jogam o jogo do longo prazo, terão que olhar para programas de qualificação estruturados, sob o risco de se tornarem irrelevantes. Além disso, as empresas, como direcionadoras do crescimento econômico, devem agir como parceiras e influenciadoras dos governos e entidades educacionais, seja por um desejo honesto de impactar a sociedade positivamente, seja por sobrevivência.

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Nova década, novo blog

Sempre quis ter um blog, mesmo sem saber bem sobre o que falar. Quer dizer, sempre falei bastante, mas organizar isso em um texto? Sofrido.

Não que eu tenha tentado com afinco. Até criei alguns blogs – já paguei até domínio – mas nunca passei de 10 posts.

Nos últimos anos tenho liderado a área de desenvolvimento de negócios da Telefônica ED_, uma unidade de consultoria e projetos de educação digital pertencente ao Grupo Telefônica. Uma das coisas temos feito aqui é a produção material educativo aberto, para ajudar nossos possíveis clientes em sua jornada de transformação digital através da educação. Não produzi nenhum (contratamos redatores), mas participei criando pautas, dei algumas entrevistas e isso fez querer registrar alguns pensamentos e opiniões pessoais, que não necessariamente estão ligadas à minha experiência profissional atual.

Outra coisa que eu aprendi durante esse projeto é que blog post bom é blog post com lista. Então organizei as 7 razões que me motivaram a criar um blog de novo:

7 motivos para tentar de novo

  1. É no começo de ano que se começam coisas novas;
  2. Penso em um monte de coisas sozinho e não quero que esses pensamentos morram comigo;
  3. Minha escrita é uma lástima, mas dizem que se você pratica melhora;
  4. Adoro falar sobre o que eu conheço e acredito, mas acho que os ouvidos da minha família/amigos merecem férias.
  5. Meus ídolos escrevem e quero ser igual a eles.
  6. Vou ter que muito para ter pauta e assim aprender bastante.
  7. Vai que eu consigo ganhar dinheiro com isso.

Se você chegou até aqui (obrigado!) provavelmente deve estar pensando: esse blog tem o que?

  • Sou vendedor de consultoria há bastante tempo, vai ter coisas sobre vendas consultivas (muita técnica, nada motivacional);
  • Nos últimos 5 anos tenho trabalhado com educação e tecnologia dentro de um dos maiores grupos econômicos do Brasil e da Europa, vai ter disso aqui;
  • Sou um economista de formação que teve o nome do Serasa por pura falta de planejamento (depois disso criei vergonha na cara e ajeitei minha vida). Vai ter finanças e quem sabe até um pouco de teoria econômica;
  • Qualquer outra “ideia fixa” que aparecer na minha cabeça.

E pra terminar, outra coisa que aprendi no projeto de inbound marketing: citação.

“Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido”

Jules Renard